• Planej

Grandes engenheiros e arquitetos negros que talvez você não conheça

As grandes manifestações vêm tomando destaque ainda maior para a luta antirracista em todo o mundo. Tanto nas ruas, quanto nos esportes, onde a NBA, principal Liga de basquete dos Estados Unidos e a Fórmula 1, principal categoria de automobilismo no mundo, que tem hoje como grande nome Lewis Hamilton o qual não esconde sua busca por visibilidade para o movimento antirracista.


Diante disso, mostraremos que não apenas nos esportes, mas também na engenharia e na arquitetura, pessoas negras, estão presentes e servindo de inspiração para diversos outros que querem seguir seus caminhos.


Podemos falar de boca cheia de Teodoro Sampaio, que além de engenheiro, era também escritor, geógrafo e historiador, além de deputado federal entre 1927 e 1929. Filho de escrava, foi levado pelo pai para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, trabalhou como desenhista do Museu Nacional para assim poder comprar a carta de alforria dos seus irmãos.


No Século XIX integrou a comissão hidráulica nomeada pelo então imperador Dom Pedro I, sendo ele o único representante brasileiro. Esse grupo visava melhorar os portos e as navegações nos grandes rios do interior do pais. Entretanto, mesmo sendo o único brasileiro, seu nome não aparecia no Diário da União, até que o Senador Viriato de Medeiros interveio e assim adicionaram seu nome ao Diário.


Sampaio também participou de obras de melhoramento do Rio São Francisco, obras como barragens e desobstrução de trechos encachoeirados do rio, outros grandes cargos que acumulou foram como:

- 1° Engenheiro e Chefe em Topografia da Comissão Geológica e Geográfica de São Paulo; - Chefe do Serviço de Água e Esgoto da cidade de São Paulo;

- Além de Participar da Comissão que organizou a Escola Politécnica de São Paulo.


Mais dois grandiosos exemplos que podemos seguir nessa luta são de dois irmãos: André e Antônio Rebouças. Ambos nasceram na Bahia, mas foram extremamente importantes no desenvolvimento da reação mais ao sul do país. Os Irmãos foram os primeiros engenheiros negros no Brasil, isso ainda no século XIX, sendo os maiores engenheiros de todo o país na época.


Eles são responsáveis por aquela que talvez seja a obra mais importante para o estado do Paraná e cidade de Curitiba, a Ferrovia Paranaguá-Curitiba, dita como a maior obra da engenharia férrea nacional. Mais uma obra importantíssima que teve o sobrenome Rebouças como responsável é o do Plano de Abastecimento da Cidade do Rio de Janeiro, a então capital imperial vivia problemas com secas, então André propôs o transporte da água do Rio D’Ouro para a capital.


Outra Importante obra não só para desenvolvimento da capital, mas também na luta abolicionista se mostrou nas Obras da Doca da Alfândega e Doca Dom Pedro II, pois quando André assumiu a obra não só mudou a cara do Porto, como também proibiu o uso de mão-de-obra escrava na construção. Os Irmãos tem diversas homenagens pelo lugares que trabalharam no Rio de Janeiro. Eles dão nome ao túnel que liga as Zonas Sul e Norte da cidade. Na capital paulista eles têm uma das avenidas mais importantes da cidade: a Avenida Rebouças, já em Curitiba eles dão nome a um bairro da cidade.

Bustos dos Irmão Rebouças no Rio de Janeiro


Falando agora de grandiosos arquitetos podemos falar de Joaquim Pinto de Oliveira, que ficou popularmente conhecido como Tebas na cidade de São Paulo. Tebas foi escravizado por até seus 57 anos, mas mesmo assim não deixou de fazer ser responsável por construções como o Chafariz da Misericórdia que canalizando as águas do anhanguera se tornou o primeiro chafariz público da cidade.


Com exigia qualidade tanto para alvenaria quanto para as questões hidráulicas, Joaquim, que era extremamente autodidata, teve seu apelido utilizado como expressão popular para designar algo bem feito. A expressão “Fulano é um Tebas” passou a ser uma referência a uma pessoa que sabia fazer de tudo. O Chafariz da Misericórdia foi demolido em 1888. Entretanto, dois importantes retratos do seu trabalho ainda estão de pé: as Fachadas da Igreja da Ordem Terceira do Carmo e da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco, ambas no centro da Capital Paulista.

Fachada da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco


Mais um nome incrível que podemos citar aqui é da Arquiteta Urbanista Gabriela de Matos que fez sua graduação na PUC Minas em 2020 e hoje é Vice-Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo e fundadora do Projeto Arquitetas Negras, projeto que tem o intuito de dar mais visibilidade aos trabalhos dessas mulheres. O Projeto hoje tem mais de 14 mil seguidores no seu Perfil do Instagram (@arquitetasnegras).


Em entrevista para a Fundação Nacional de Arquitetos e Urbanistas, Gabriela afirma que não conseguia encontrar os trabalhos de mulheres negras, e esse foi um dos motivos que a levou a iniciar o projeto. Como o próprio perfil informa, no mês de maio já tinham alcançado mais de 400 arquitetas negras em todo o Brasil. O projeto também tem produções importantes, como o Livro Arquitetas Negras Volume I, todo produzido por mulheres negras, com artigos e ensaios sobre racismo, práticas arquitetônicas, entre outros.


A luta contra o racismo se mostra importante em diversos níveis da sociedade, não diferente na arquitetura e na engenharia civil. A representatividade e reconhecimento de profissionais da área, ajudam não somente a mostrar que essas pessoas estão lá, como também inspiram cada vez mais os jovens a seguirem essas áreas incríveis. Nós da PLANEJ também buscamos inspirar cada vez mais as pessoas e impactar ainda mais o mercado deixando nossa marca.

20 visualizações
  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle
  • Pinterest - White Circle
  • LinkedIn - Círculo Branco